Sonhos de uma noite de verão ☼
Noites quentes me remetem a verões da infância e nestas lembranças eu encontro contida uma paz alegre que não me causa nostalgia e, sim, satisfação. Não me faltou nada, seja material ou emocional, meus pais sempre estiveram muito presentes e o riso era fácil e constante. Apenas boas recordações! Então, veio a adolescência... A vida começava ali, completamente inexperiente, curioso e inocente me aventurei pelas ruas muito cedo, quis descobrir a utilidade do coração rapidamente, conquistei companheiros e amigos que me acompanhariam por tempos variados, alguns acabaria ficando para trás, me rebelei sem motivo aparente contra meus pais e me sujeitei a absurdos. Seguiu-se, então, o tempo até a juventude, com o fardo de um rebelde sem causa ainda pendurado no pescoço, conquistei meu primeiro emprego e terminei meu quinto namoro. Tudo parecia satisfatoriamente bem, levava uma vida agradável com algumas mentiras no bolso e outras tantas verdades inconvenientes na boca. Até ali, acredito que já havia uma idéia pré-estabelecida do que era amor e seus sacríficios vigentes, suas formas voláteis e complexas, sinceras em sua essência. Maus bocados foram enfrentados, nem sempre com a cabeça erguida, mas o peito aberto. Então, me vem a introdução da fase adulta, na qual, estou apto a apresentar um plano de vida profissional e um carácter ainda não cristalizado, porém, levemente avançado para o meu tempo de existência e antes mesmo que eu pense em proseguir, pisco meus olhos e me reencontro em mais uma noite de verão neste estabelecimento que tem sido meu quarto desde então.
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