domingo, 3 de janeiro de 2010

A terceira postagem

2009: A demolição


Não posso negar que não reparei o ínicio da demolição de tudo aquilo que havia sido conquistado neste pequeno intervalo de tempo, mas um passo em falso poderia ser fatal para me afundar novamente, o que me deixou mais atento diante de cada passo planejado. Com tanto ao meu redor e internamente, eu estava ciente de que cedo ou tarde haveria a necessidade do descarte, mas não fui capaz de prever que ele já havia começado desde o primeiro segundo do ano. Para encontrar forçar me prendi à religião e minha família, não só composta por aqueles entrelaçados a mim pelo sangue. E, mesmo com o tempo fechado ao decorrer de todo o ano, fui capaz de encontrar pelo caminho pequenos fragmentos de diamantes que apenas em conjunto adquiririam um valor inestimado a todos e os guardei comigo, carregando-os de encontro ao peito a cada passo dado em direção ao nada camuflado em plena escuridão.


As lágrimas não eram constantes como anteriormente, porém, ainda presentes e cada coração já ocupado me machucou um pouco mais e mínima dor nunca me deixou esquecer da vida que brilhava insistentemente em mim na vã tentativa de chamar minha atenção. As perdas ocasionadas neste foram essenciais para que meus olhos fossem reabertos definitivamente, enxergando assim quem eu havia me tornado e enchendo meu coração de orgulho seguido de um desejo inexplicável de mergulhar no ser recém chegado à minha vida. Aprender a lidar comigo mesmo tornou-se meu objetivo principal na duração desses trezentos e sessenta e cinco dias.


Caminhei solenemente pelo reino do ego e da lúxuria me deparando em cada um deles com pessoas opostas a mim e distintas entre si. Antes, eu que cheguei a acreditar que pertenceria a um desses reinos me vi sendo rejeitado por ambos pela ausência de um carácter compátivel. Segui em direção aos outros reinos espalhados pelo mundo assistindo em silêncio uma ou outra situação inapropriad, pessoas partindo e tantas chegando. E, outrora olhei para mim na esperança de encontrar tudo intacto... Mas meu solene castelo de areia jazia aos quatro cantos revelando toda sua fraqueza omitida por esperanças falhas.


Vi ainda surgir o antecessor deste blog criado pelo desejo maior das palavras em mim e observei o retorno e partida daquele que marcou minha vida no passado, vi erros imperdoáveis serem relevados com uma facilidade admirável, pasmei e quando não deveria me calei. Mas, ao término do ano, me deixei entregar uma vez mais às trevas que me cercou todo esse tempo e quando pensei que seria definitivamente consumido e meu coração amargurado... Uma sucinta faísca de luz brilhou ao fundo de um túnel próximo, com lágrimas a lavar meu rosto, corri o mais rápido que pude naquela direção, meus pés pareciam presos ao chão invisível, e ao me aproximar o suficiente notei que tal faísca nada mais era que o último segundo do ano anunciando o término da era da escuridão e o recomeço de tudo. Senti areia em meus pés e ao olhar para trás notei que o caminho que me trouxe até aqui está bloqueado por areia desmoronada de um sonho passado, me restando a única alternativa de seguir adiante...
®


2 comentários:

neTrop!k@lista disse...

É, fico imaginando a sua cabeça como uma grande arena surreal. Poético. E que vida mais... =/ ...romântica!?

Victor Hugo disse...

Romântica? Eu diria... Literária, talvez.

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