terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A quinta postagem

Um quebra-cabeça sem pé, nem cabeça

De repente, me ocorre a idéia de que a personalidade humana não passa de um quebra-cabeça incompleto que será o entretenimento eterno daquele que o possui, tirando e substituindo essa ou aquela "peça" para tornar a imagem mais nítida ou desmontando tudo para reconstruir e torná-la mais agradável. Um mistério composto pela união de mínimos detalhes do carácter humano, este desafio existencial é regido pelas leis impostas por peças maiores, mas nem por isso mais relevantes, que tentam ditar suas monarquias falhas às outras, ainda pequenas diante do poder de influência mental. Porém, em meio a esta sútil guerra interna, a imagem do pequeno quebra-cabeça começa a tornar-se vísivel aos olhos e surpreende seu jogador com a figura formada: o reflexo de si mesmo, como em um espelho. Um reflexo composto pelas consequências de atitudes cotidianas, os segredos internos mais profundos e tantas outras decisões tomadas ao longo do tempo, impensadas ou friamente calculadas, transparecendo cada traço de luz ou escuridão perante todos vorazes espectadores ao seu redor e sua verdadeira índole exposta como uma vitrine na rua principal de uma metrópole. Amedrontadora a idéia, não? Porém, não acredito que seja possível montar definitivamente o quebra-cabeça sem que haja alterações posteriores, sempre haverá aprimoramentos e regressões, não há garantia de progresso constante ou regressões eternas, então, diariamente, estamos em busca de novas combinações entre as peças encontradas em nossas mãos e procuramos adquirir outras novas até que o reflexo ali estático torne-se satisfatório. Desacredito em conjunto na idéia da possibilidade de uma exposição voluntária e tão vulnerável a um outro ser humano, mesmo que ambas as buscas sejam próximas ainda que por caminhos distintos. O individualismo é uma realidade e sequer a cumplicidade é forte o bastante para persuadir alguém a mostrar o seu próprio "retrato de Dorian Gray".


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3 comentários:

Victor Hugo disse...

Aí sim hein, gostei desse texto! *-*

neTrop!k@lista disse...

HAHAHAHAHA... acho que esse seu comentário vale muito mais do que o meu (óbvio!)
gostei bastante da metáfora, é muito intrigante pensar em um jogo infinito, e é justamente essa inconsistência e instabilidade no número de peças e de combinações que eu chamo de jogo de cintura, ou simplesmente, viver.
abraços!!
obs: fiquei sem graça pelo comentário no meu blogue, hahaha...

neTrop!k@lista disse...

ah! e sobre a vulnerabilidade, estou de acordo também. acho que nenhum homem é tão forte a ponto de levantar completamente o véu que esconde seu quebra-cabeça interno.

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