sábado, 2 de janeiro de 2010

A segunda postagem

2008: O luto

Retomo uma vez mais um passado mórbido quase esquecido pelo tempo, mas marcado pela sua presença raramente notável e vejo isto como um beijo de despedida para possíveis fantasmas que venham a reaparecer diante de mim, os quais já não são bem-vindos sequer em meus sonhos mais obscuros. Alguns preferem esquecer todos obstáculos já enfrentados durante a caminhada da vida, neste ponto me diferencio dos demais e procuro manter a lembrança acessível, mas não viva, para que eu nunca permita me desencorajar diante do presente momento. O que me leva a contar esta parte da minha história que recentemente foi titulada como: "O luto", fazendo jus aos fatos ocorridos ao longo do ano que exigiu mais de mim do que qualquer outro em minha vida até então, aos meus dezenove anos de vivência prática.


Em 2008, aos meus dezessete anos rumo aos dezoito, me deparei com uma perda inconcebível na época logo nos primeiros dias daquele ano ocasionand em uma sequência de atos de desespero até a esperança tornar-se completamente invisível aos meus olhos e eu me ver morrer lentamente sentindo profundamente cada pontada daquela dor, que permaneceria em mim pelo tempo de uma existência razoável. Estudos e empregos perderam sua atração inicial tornando cada dia um novo sacríficio, me arrastar para fora do quarto era um obstáculo diário seguido da insistente preocupação alheia para comigo. Cada noite era uma nova oportunidade de martirização levando consigo cada possível hora de sono e assim seguiu-se um ano no qual cada tentativa de reerguer causava uma queda mais profunda que a anterior.


Um suposto conforto foi encontrado em meio a drogas e relações sexuais casuais até que um pouco de luz pôde iluminar-me e abrir levemente meus olhos para que eu enxerga-se o erro cometido quase diariamente, tal conforto temporário não passava de uma covarde tentativa de fugir da realidade destrutiva ao meu redor. Aceitar o fardo de viver como um recém morto era uma opção e não uma imposição astral e entre tantas tentativas falhas acompanhadas de apoio originado do amor alheio encontrei forças para me manter sob minhas próprias pernas, procurar ajuda e finalmente aceitá-la.


Ao término do ano, eu não estava completamente curado de todas experiências passadas e a dor ainda resistia em meu peito, porém, eu já me sentia capaz de me comunicar comigo mesmo ou permitir a aproximação alheia, mesmo com receio ainda. E, segurando minha mão, um irmão com nome de anjo me guiou de encontro à luz sem perceber que com uma atitude tão pequena acabava de salvar uma alma da perdição constante. Sem que eu pudesse perceber, o ano havia chegado ao fim e aquela era uma nova oportunidade de recomeço para mim, que acreditava estar completamente sozinho, mas ao olhar ao redor me deparei com novos e outros já conhecidos rostos sorrindo para mim e comigo. Sem notar, eu havia crescido e feito novas amizades significando o fim de um luto presente por dias obscuros, mas ainda assim havia muito a acontecer e ciente disso me restou abraçar meus novos aliados e correr em direção ao desconhecido.


®

2 comentários:

neTrop!k@lista disse...

:O
conhecendo melhor o sr. Victor Hugo.
abraços, (aguardando A Demolição)

Victor Hugo disse...

Ouié. Para melhor compreensão de um texto, uma opção é conhecer a intimidade de seu autor e sua história.

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