domingo, 31 de janeiro de 2010

A trigésima primeira postagem - Post Finale

Término do primeiro passo

Eu segui a vegetação deste novo caminho que surgiu diante de mim através daquele arco-íris posto anteriormente para mim, para que eu pudesse seguir adiante e pudesse narrar a ascenção de um novo sol, que tem iluminado cada passo meu e me guiado entre lírios e tulipas até onde eu devo chegar para completar o objetivo de uma vida repleta de antecedentes de sofrimentos pela perda própria essência. E, em meio a esse caminho, me deparei com este que seguirá comigo pelo caminho até determinado ponto segurando minha mão e impedindo meu passado de tornar-se novamente o motivo de noites mal dormidas ou possíveis eclipses que turvam minha visão.

Sigo assim até aquele riacho, portador de tamanha segurança e sabedoria, que aguarda minha chegada com um pequeno bote disposto ali para me guiar até a margem oposta. Ciente do procedimento previsto para tal episódio, eu o temo. Porém, é preciso seguir adiante, mesmo sozinho, pois, aquele que por mim é amado não poderá seguir viagem a meu lado pela ausência de sua essência. Minhas lágrimas secam ao primeiro contato com o sol provando, uma vez mais, que tais manchas não são necessárias quando escrevemos uma história que contém e fortalece nosso verdadeiro eu. A travessia não é opcional, não a mim, mas sua segurança só é garantida pela minha decisão envolvo à aceitação dos fatos. 

Este foi o primeiro passo de uma trajetória rumo a um cenário ainda desconhecido, porém, imaginado e almejado fervorosamente pelo juvenil coração de um aprendiz de viajante no mundo das idéias. Meus olhos assumem a responsabilidade de apenas seguir a direção do sol sem nunca ceder à tentação de visualizar o que foi deixado na margem oposta, meu coração consente em cristalizar quaisquer sentimentos valiosos em suas próprias virtudes e me impulsionar a seguir adiante. Ambos formando um conjunto de uma determinação recém-descoberta impulsionando meus pés a dar o segundo passo.

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sábado, 30 de janeiro de 2010

A trigésima postagem

Até o mar esconde seus mistérios

A vida é um percurso nebuloso, repleto de bifurcações, com um único destino comum a todos, sem qualquer excessão. As variáveis são diversas, entre elas encontram-se o tempo e limitações particulares, todavia, ao decorrer do caminho deparamo-nos com pessoas e ferramentas que facilitam a resolução dos muitos desafios impostos em meio aos tantos labirintos enfrentados de tempos em tempos. Pode ocorrer, e é muito comum, uma perda do foco da caminhada em consequência a sentimentos profundos ou complexos ocorrendo na perda temporária de nossa real essência, também conhecida como "identidade", ocasionando em uma parada para descanso e reflexão até que essa seja recuperada, uma tarefa aparentemente singela e sem maiores dificuldades, mas só aparentemente.

O retrocesso é um desafio novo, apesar do caminho parecer familiarmente já ultrapassado, suas sombras podem ser mais intensas ou seus caminhos mais complexos, mas tudo o que foi conquistado até então torna-se a fonte de determinação para seguir a busca do bem abandonado no passado por desatenção. O tempo de viagem é proporcional ao sofrimento da ausência daquele perfume rosado de desprendimento do passado, a inexplicável consciência do tempo-presente. Sendo o tempo apenas uma ilusão aos olhos daqueles regidos pela razão.

Tal viagem rege apenas a ida, pois, a garantia de retorno é um desejo adormecido no coração do viajante. Um desejo que só será e poderá atendido pelo seu coração purificado, transportando-o  para o presente momento e desvendando um segredo que foi mantido ao longo da sua viagem. Na verdade, aquele presente-momento abandonado a partir de sua partida permaneceu cristalizado aguardando seu regresso para retomar cada segundo guardado secretamente no coração daquele que voluntariamente se encarregou em manter um amor sincero seguro até que seu merecedor proprietário, viajante da vida, estivesse apto a recebe-lo.

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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A vigésima nona postagem

Ao meu redor

Sentado aqui me esforço para manter viva uma esperança furtiva de que você surgirá a qualquer momento e me resgatará desse silêncio absoluto que me encontro naufragado. Vejo crianças, famílias, amigos e casais, todos os tipos possíveis de casais, mas não vejo nós. Não vejo sua silueta deparando de encontro à minha, sua mão à procura da minha, nossos beijos e palavras lançadas ocasionalmente ao vento. Sinto saudade ou uma nostalgia do dia em que estivemos juntos aqui e procuro me manter paciente porque acredito mesmo que, cedo ou tarde, você virá. Meu coração pedi por você e minha cabeça por paciência. Agora, falta apenas algumas horas este shopping fechar suas portas e eu ser obrigado, contra minha vontade, a partir... Partir para casa, partir meu coração.

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A vigésima oitava postagem

Existência racional
 
O que mais seria de mim senão uma alma impurificada pelo tempo e seu passado árduo, repleto de atitudes questionáveis, que busca através da luz de sua vã e limitada sabedoria uma utilidade para a própria existência? Existência essa que se mostra inconstante, pois, me nego a existir diariamente, afinal, me basta os poucos dias e horas que me permito existir sem a descrença do finito. Finito presente mesmo involuntariamente para provar e relembrar quão extremas são as limitações impostas pelo senso, que me é imposto em silêncio. Senso que, acredito eu, vivencia a existência de todos possíveis seres racionais, mas que por muitos ou poucos é ignorado beirando o precipício do esquecimento. Sendo o esquecimento o fátidico destino de toda humanidade, ainda que relutante e amedrontada por ser consciente de que tudo poder ser em vão, insisti ou persisti na idéia da escolha mesmo portando tamanha informação. Informação que nas mentes mais impurecidas pode ser vista como poder e fonte de lucros materiais, aumentando seu controle sob cada cabeça que segue suas regras e ainda assim afirmam que há a escolha. Escolha de aprimoramente pessoal, afetivo, profissional etc, são tantas as possibilidades para tardiamente descobrir que o tão almejado "diferencial" é artificial. E a artificialidade torna-se não somente um estilo de vida, mas a definição mais concreta e próxima daquele chamado de O CRIADOR. Criador que abandona sua criação ao meio de um paraíso qualquer e observa sua auto-destruição nulamente, Criador que é adorado infielmente, mas aceita tais falsas orações como uma dádiva rara, que observa e diverte-se com suas criações afirmarem ser o instrumento direto de Sua voz e o caminho certo para Ele. Causando intrigas e polêmicas, questionamentos sobre o caminho certo e o que é certo para tal Criador, questionamentos sobre o próprio Criador e blasfêmias como: O aprendiz supera o mestre. Então, se é que é possível obter uma resposta, me responda: Qual a utilidade da existência?
 
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A vigésima sétima postagem

Erro meu!

Erro meu em pintar palavras com uma tinta (supostamente) definitiva, chega a ser visto como uma ofensa às tão poderosas palavras que se unem em uma ligação ímpar para transpor idéias que levarão consigo possíveis teorias acerca de assuntos diversos, aleatoriamente escolhidos ao toque da caneta em um papel qualquer, o qual antes poderia não passar de mais um papel em bilhões ou trilhões, mas agora portará as palavras de um ser humano racional, porém, ignorante. Carregará em letras miúdas e úmidas de tinta o frescor da sua ignorância que trará a tentativa de acrescentar a esse mundo um pouco do seu pudor, da sua limitada inteligência ou um pouco de si mesmo, para derrotar esse medo do fim que se apodera de todos nós, eternizando cada palavra no mundo das idéias.

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música não encontrada: vira mundo/A lenda

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A vigésima sexta postagem

Agradecimento às minhas palavras

As palavras nem sempre vieram a mim com a mesma fervorosidade com que eu as procurei, nosso relacionamento é um pouco mais complexo que uma troca de afetos, somente juntos podemos expressar nossos reais valores àqueles que os desconhecessem e se interessam. Como todo relacionamento, temos nossas crises esporádicas e nos mantemos afastados por um espaço de tempo razoável visto que nosso laço é mais forte que nós tornando o reencontro inevitável, mesmo com tantas tentativas de rompê-lo nunca obteremos sucesso pois nos foi destinado um caminhar de mãs atadas e entrelaçadas. Me resta, então, agradecer a este dom que hora ou outra torna-se um fardo e mesmo assim consegue manter seu encanto que, de fato, me encanta a cada novo contato.

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A música não foi encontrada: Palavras/Leon Fabbri

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A vigésima quinta postagem

A verdade por trás do véu da idéia 

O mundo é um lugar encantador para se viver mesmo quando não estamos aptos a enxergá-lo, até em dias particularmente nublados é possível sentir sua energia fluir pr entre cada possível orifício da Terra. Porém, tamanho encanto esconde segredos inimagináveis que, desde sua breve existência, tira o sono de alguns seres humanos em particular. Todos temos a capacidade desses desvendadores de segredos, mas não a coragem de questionar. E, me refiro a q uestionamentos não apenas acerca da paisagem ao nosso redor, que nos acolhe como uma mãe recém títulada, mas a si mesmos também. Não é a busca por respostas que excitam tais pensadores e, sim, a extraordinária visão do conflito entre razão e emoção que percorre séculos sem quaisquer possíveis tréguas. Tal conflito gera discussões fervorosas e a formação de opiniões e personagens magníficos, carregando a única certeza de que jamais desvendaremos a verdade sobre o que nos cerca.

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domingo, 24 de janeiro de 2010

A vigésima quarta postagem

Acordo e continuo sonhando!

Como pode ser possível crer que vivo um sonho ao seu lado? Ninguém acreditaria se eu dissesse, e nem preciso, basta olhar para mim quando caminho ao seu lado. Você tornou-se meu porto-seguro, minha alma gêmea e meu melhor amigo. Sendo um absurdo o uso do verbo "tornar", pois, meu coração afirma que você sempre foi, porém, precisavamos nos preparar antes de darmos as mãos para assim evitarmos o desperdício do nosso amor, que só tende a crescer. Cada olhar, cada abraço, cada beijo, cada encontro será sempre como o primeiro. Não é preciso dessas palavras para eternizar o que foi destinado para nós antes mesmo de descobrirmos nossos nomes. Ao seu lado, nada é capaz de me ferir e toda/qualquer dor física ou não desaparece completamente ao seu toque em minha pele. E, ao nos separarmos temporariamente, volto a ser humano e servo do nosso amor.


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sábado, 23 de janeiro de 2010

A vigésima terceira postagem

Nosso amor!

E, observando a chuva, sentado em uma cadeira de frente à uma janela qualquer eu me sinto capaz de compreender que cada vez que uma lágrima escorreu dos meus olhos não foi de tristeza por uma perda qualquer, mas sua ausência que já me doía e eu não entendia exatamente o que era. Era saudade de um tempo que eu haveria de viver apenas quando estivesse preparado. Agora, você está aqui e tudo faz sentido, meus medos desaparecem e eu sou capaz de abrir minhas mãos para te amar sem que eu precise te prender em meu mundo, pois, você voará livremente ao meu encontro cada vez que meus braços se abrirem!


Minha insegurança perde sua força e se descontrola por não conseguir me controlar, por me ver submisso a um amor que esperou pacientemente para consumir toda minha existência e transformar raios e trovões em demonstrações naturais de uma felicidade que durará toda minha existência, o escuro um porto seguro para fugir ao teu encontro, onde serei guiado por tímidas estrelas que me dirão onde você se encontra, embaixo de um pinheiro chinês sentado em um banco natural de pedras rodeado de vagalumes que brincam com você contando cada progresso meu ao seu encontro. E, ao chegar, quero te amar como nunca foram capaz de fazer e mostrar que nosso amor caminha ao lado de cada estação do ano. Se refrescando em beijos no verão, observando a queda das folhas no outono, mas mantendo-se firme para aquecer-nos durante o inverno e florescer na primeira como a primeira flor a desabrochar!

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A vigésima segunda postagem

A fantasia mágica do mundo!

Afinal, qual o verdadeiro encanto de um conto-de-fadas? Será os personagens, que não demonstram perfeição apenas maturidade (sendo muitos deles anti-heróis) com sonhos humanos aproximando-os ainda mais da realidade? Ou os cenários cheios de cores e magia? Quem sabe os enredos quase clichês de tão naturais?A trilha sonora também pode acertar em cheio nossos corações... Enfim, o conjunto de tantos fatores gera o real encanto de tais fantasias omitindo seus segredos de desejo. Restando, ao término, o sonho de viver tudo aquilo que vemos. Um prazer para poucos ou, quem sabe, para todos.

Passamos a vida crendo no almejado "felizes para sempre" e esquecemos de nos permitir viver tal experiência única e eterna, a qual acontece, sim. Suas exigências são mínimas: sempre acreditar nas possibilidades mais absurdas, manter a esperança como instrumento de fé, aceitar o amor sem questioná-lo, basta sentir, deixando aquela descrença adquirida ao ingresso da fase adulta para trás. Então, se todos requisitos são preenchidos, o sonho começa lentamente a tornar-se real e quando olhamos ao redor notamos que vivemos um conto-de-fadas e cabe a nós mantê-lo para alcançarmos o final feliz, que é inexistente como descobrimos posteriormente, pois, a história não tem fim e esse é seu verdadeiro encanto!

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A vigésima primeira postagem

Cada passo me aproxima de você


Depois de tempos tão obscuros, as luzes começam a se reacender lentamente para que eu possa enxergá-las individualmente e entender o segredo de seu encanto natural. Uma se funde à outra para me surpreender ao tomar novas formas e cores, meus olhos se enchem de lágrimas como se fosse a primeira que eu visse tamanha beleza com meus próprios olhos e eu posso senti-las, sem necessariamente tocá-las. Isso me basta, isso tem me bastado há pouco tempo, mas tempo suficiente para eu desejar viver isso para sempre. Acordo antes do nascer do sol, me levantando sem pressa de viver o que me espera e ao meus pés tocarem o chão sinto como se estivesse flutuando sob nuvens e sou iluminado por uma luz que não provem do sol e, sim, de uma alegria que aguardava impacientemente o meu despertar para me acompanhar a cada passo, aonde eu for. Sorrisos tornam-se incontroláveis e mal posso conter meus pensamentos de voarem ao encontro da origem de todo esse sonho que permanece mesmo eu estando acordado. Dizem que coisas boas atraem coisas boas, eu sou a prova viva disso. Toda a determinação, confiança, alegria e prazer em simplesmente existir vêm de encontro a mim sem que eu os chame, sentam-se ao meu redor para compartilhar comigo todas suas aventuras passadas e planos futuros relacionados a mim. Mas um segredo continua intacto dentro de mim, um segredo que era um pedido com tanta descrença e foi atendido por mim de peito aberto. Um pedido de recomeço, de alegria, de um sonho já esquecido que adquiriu a forma física de acordo com meus gostos. A certeza também se aproxima vagarozamente, sorrindo para mim, e traz consigo um dia que poderá oficializar toda minha felicidade e eu posso apenas observá-la chegando, pois, não há o que preparar, todo esse tempo estive corrigindo erros e me limpando para estar preparado para tudo o que eu desejava e agora eu estou e, felizmente, este dia está chegando com a certeza de que valeu a pena cada obstáculo, cada milésimo de espera!


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primeira semana! *-*


quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A vigésima postagem

Uma fábula para aquecer o coração

Era um dia de verão, mas o clima estava nublado e quase frio, então, a Loucura resolveu convidar seus amigos para tomar um café em sua casa. Todos os convidados compareceram como combinado e após o café, a Loucura propôs:

- Vamos brincar de esconde-esconde?

- Esconde-esconde? O que é isso? - perguntou a Curiosidade.

- Esconde - esconde é uma brincadeira. Eu conto até cem e vocês se escondem. Ao terminar de contar, eu vou procurar, e o primeiro a ser encontrado será o próximo a contar.

Todos aceitaram, menos o Medo e a Preguiça.

-1,2,3,... - a Loucura começou a contar.

A Pressa escondeu-se primeiro, num lugar qualquer. A Timidez, tímida como sempre, escondeu-se na copa de uma árvore. A Alegria correu para o meio do jardim. Já a Tristeza começou a chorar, pois não encontrava um local apropriado para se esconder. A Inveja acompanhou o Triunfo e se escondeu perto dele de baixo de uma pedra. A Loucura continuava a contar e os seus amigos iam se escondendo. O Desespero ficou desesperado ao ver que a Loucura já estava nonoventa e nove.

- CEM! - gritou a Loucura - Vou começar a procurar! 

A primeira a aparecer foi a Curiosidade, já que não agüentava mais querendo saber quem seria o próximo a contar. Ao olhar para o lado, a Loucura viu a Dúvida em cima de uma cerca sem saber em qual dos lados ficar para melhor se esconder. E assim foram aparecendo a Alegria, a Tristeza, a Timidez... Quando estavam todos reunidos, a Curiosidade perguntou:

- Onde está o Amor?

Ninguém o tinha visto... A Loucura começou a procurá-lo. Procurou em cima da montanha, nos rios, de baixo das pedras e nada do Amor aparecer... Procurando por todos os lados, a Loucura viu uma roseira, pegou um pauzinho e começou a procurar entre os galhos quando, de repente, ouviu um grito. Era o Amor, gritando por ter furado o olho com um espinho! A Loucura não sabia o que fazer. Pediu desculpas, implorou pelo perdão do Amor e até prometeu segui-lo para sempre. O Amor aceitou suas desculpas... Hoje, o Amor é cego e a Loucura o acompanha aonde ele for.



A fábula acima não me pertence, foi copiada e editada por mim. Gostei muito, por isso estou postando. Desde pequeno, tenho contato com todos os tipos de fábulas existentes, algumas explicando a criação do mundo e outras dos sentimentos que habitam ao nosso redor. Todas carregando junto a si uma pequena lição na tentativa de acrescentar algo de bom aos nossos corações. Me recordo de escrever fábulas em companhia do meu irmão para os meus pais, aparentemente, a escrita esteve mais presente em minha vida que eu fui capaz de notar.

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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A décima nona postagem

Não fale sem a certeza... das consequências!

Vivemos uma democracia "demonstrativa"! que acompanha uma breve definição do seu real sentido o qual, supostamente, seria um regime onde o poder está direta ou indiretamente ligado ao povo e a liberdade de expressão. Todavia, toda liberdade criada pelo homem é regada de regras e castigos para seus infratores (ou assim deveria ser). Comprovar fatos, omitir segredos e dominar a certeza são poucos dos desafios enfrentados por aqueles que vivem nessa rede de conspirações. Informação é poder sob uma pessoa ou um grupo, dizem por aí, e pode até ser... Mas tamanho benefício causa o defeito da precipitação, então, frequentemente é preferível calar-se e crer na capacidade de interpretação alheia para com esse silêncio, ainda que incerta.

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A décima oitava postagem

Pouco é muito!

Há algo a ser dito sobre um copo cheio até a metade, algo sobre um limite controlável. Desejamos que o copo não tenha fundo mesmo precisando de apenas um gole e tudo o que queremos é mais. Somos incapazes de identificar nossos próprios limites, aceitá-los ou lidar com eles afinal uma voz onipresente persisti em influenciar nossas mentes a crer que limites foram criados para serem corrompidos e assim possamos abranger um espaço maior no curto espaço da mente humana. Porém, um pensamento tão radical traz consigo suas exigências psicológicas e pode tornar-se um erro fatal caso estas não sejam alcançadas a tempo de lidar com as amedrontadoras consequências causadas por uma possível prepotência inocente, mas não inofensiva. Em contrapartida, é possível garantir uma única certeza: Não há erro ou acerto, apenas uma nova lição a ser aprendida.

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domingo, 17 de janeiro de 2010

A décima sétima postagem

Basta acreditar!

Alguém em uma ocasião informal disse: "É preciso aceitar a brincadeira para enxergar seu encanto!" e tal citação me acertou em cheio como uma bala perdida, eu não esperava ouvir aquilo visto que o assunto girava ao redor de assuntos paralelos, mas não fui capaz de impedir a frase de penetrar minha mente e consumir meus pensamentos com a voracidade de um vírus maléfico. Me levando a reconsiderar a lembrança da última vez em que me permiti aceitar a brincadeira e sua mágica, não fui capaz de fazê-lo. A insegurança sempre me consumiu antes que qualquer magia chegasse a se manifestar diante dos meus olhos, uma das minhas tantas imperfeições que tanto admiro. Aliás, imperfeição é como a arte: admirável aos olhos de poucos!

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sábado, 16 de janeiro de 2010

A décima sexta postagem

Deus é uma metáfora!



Pretendo ser breve nas minhas próprias complementando apenas o texto acerca da história religiosa do nosso mundo. Então, vamos em frente com um pouco mais de cultura para entender o presente:



Desde os primórdios, os homens acreditavam que os fenômenos da natureza (a noite, o calor, o frio, a vida e a morte) eram controlados por deuses e espíritos. Segundo suas crenças, esses espíritos eram capazes de habitar objetos inanimados como as rochas, as árvores ou os rios, cada um possuindo determinada função que se diferenciavam entre si. Os crédulos acreditavam que para tornarem-se merecedores de sua benevolência havia a necessidade de agradá-los por meio de oferendas, canções, danças, sacrifícios (humanos ou não) e “magia”.

Ao analisarmos a história das principais civilizações antigas, como Egito, China, Grécia e Roma, pode se reparar em um fator em comum, estas eram politeístas, ou seja, possuíam vários deuses, que, em sua grande maioria, eram temidos por seus adoradores, que sempre se esforçavam para não os ofender ou irritar. Sacerdotes, especialmente treinados para interpretar a vontade divina, ensinavam ao povo como viver conforme a vontade dos deuses e também como homenageá-los. Tal atividade permitia que os sacerdotes obtivessem um grande poder diante da sociedade.

Grande parte das religiões acredita numa existência após a morte, onde os bons são recompensados e os maus punidos. Isto acompanha a história da maioria das religiões desde o ínicio e é o motivo que fazia com que os egípcios embalsamassem os corpos dos faraós. Já nos funerais do homem primitivo, assim como os de chefes de tribos escandinavas, existia a demonstração de crença numa outra existência.

A idéia de uma força superior às demais, como o deus Sol, a deusa Lua, Zeus ou Odin, formou uma fé comum a muitos povos; contudo, foram os hebreus (e depois os judeus) que introduziram a crença num único Ser Supremo (Jeová), cria­dor de todo o Universo. Posteriormente, surgiu o Cristianismo, onde a partir dos ensinamentos de Jesus Cristo, Filho de Deus, conforme se encontra escrito no Novo Testamento, o homem conhece o evangelho. A religião cristã baseia-se no amor ao próximo (mas só se baseia mesmo). Já as religiões orientais são em grande parte bem antigas e seguidas por inúmeros povos, entretanto, uma mesma religião toma rumos diferentes de acordo com o país e costumes de seus fiéis.


A maioria dessas religiões acima citadas ou por prepotência poderia afirmar que todas regeram a vida de milhares de pessoas e muitas pregavam o amor, mas eram incapazes de respeitar a crença alheia, pois,  impor a própria era uma atitude mais divina. Isso não mudou, ainda hoje é possível encontrar religiões e seguidores assim. Infelizmente, nem a palavra de Deus o ser humano é capaz de seguir. Fatidicamente, é realmente mais fácil seguir as regras impostas por um humano qualquer e acreditar que esta é a palavra de Deus mesmo. O que me faz pensar que de fato Deus só pode ser uma metáfora.

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A décima quinta postagem



Utilidade da tecnologia

A televisão foi um passo enorme para a mídia e a tecnologia e mesmo que quando lançada não pudesse abranger todas as casas pelo seu preço inacessível para alguns, o que pode não ter mudado mesmo com o passar de tanto tempo, ela tornou-se parte da família entretendo e informando a todos diantes da sua presença. Entretanto, voltemos um pouco no tempo antes de tocar na ferida:

1926 - John Baird é um escocês entediado que inventa a televisão em um dos seus tantos dias ociosos. Particularmente, eu desconhecia tal informação e fui em busca dela no meu grande amigo google.

1934 - Mas foi apenas quando o russo Vladmir Zworykin, que vivia nos Estados Unidos na época, criou o iconoscópio. Pausa para a dúvida. Retomando... Possibilitando assim a utilização prática da amada televisão.

Iconoscópio: O Iconoscópio é um instrumento que mostra, em escala reduzida,a imagem de um lugar que vai ser fotografado e permite assim escolher o ponto de vista, a objetiva e a disposição convenientes.

Agora, deixando para lá o resto da história que abrange a televisão em cores, nascimento das emissoras e, recentemente, a televisão digital entre tantas outras coisas vamos tirar o curativo e cutucar a ferida.


Atualmente, eu tenho evitado ligar a televisão porque cada noticiário nos traz novas desgraças causadas pela natureza - influenciadas ou não pela ação humana - e mortes atrás de mortes. Me sinto tão pasmo diante de tais situações que me fogem as palavras para descrever como é desgostoso saber que diante de tanta desgraça o ser humano consegue virar as costas e viver suas vidas como se a paz reinasse em cada cenário deste mundo repleto de vidas. Há, sim, aqueles que sensibilizados com tais tragédias se voluntarizam a ajudar sem esperar qualquer reconhecimento que venha a surgir, mas também há aqueles que vêem isso como uma oportunidade de marketing, ajudando para criar uma imagem diante do mundo. Ridículo egoísmo...



Esclarecendo apenas, não censuro a tv por passar adiante tais fatos, mas o mundo e o ser humano pelo egoísmo visível. Só não acredito que a única utilidade da tecnologia seja transmitir desgraças a todos com tantas belezas espalhas aleatoriamente ao redor do mundo.



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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A décima quarta postagem

Espelho da imperfeição


Ciente de que já repeti isso várias vezes, volto a reforçar: o ser humano é impressionante e falo isso por experiência própria, como ser humano e observador deles, pois, cada vez que conhecemos alguém ou até mesmo entre os próximos a nós, buscamos neles um defeito que é nosso para criticar. Pode ser um defeito físico ou psicológico, não importa, aquele será nosso alvo por tempo suficiente até que tenhamos a capacidade de clareza para enxergar que, na verdade, estamos querendo criticar a nós, mas somos impedidos pelo ego. Talvez seja tão difícil nos aceitar por completo que precisamos buscar em terceiros aquilo que nos incomoda e fazer com que aquela pessoa sinta-se tão mal quanto nós por ser daquele jeito, isso pode parecer um defeito incorrígivel se não avaliado como um protagonista e, sim, como coadjuvante, o qual é um papel mais fácil de ser em nossas vidas para evitarmos os tantos pesos que carregamos inconscientemente. Porém, tais pesos podem tornar-se incômodos ao passar do tempo e caberá somente a nós encará-los, parar diante de um espelho qualquer e observar que o que tanto te incomoda se encontra ali e você tem se feito de cego todo esse tempo. Obviamente, o ser humano em toda sua criatividade sempre acaba encontrando uma maneira ou outra de fugir dessa batalha fatal e corre em busca de novas vítimas para arcar com defeitos que não as pertencem. Não generalizo nada do que digo ou escrevo e se o faço é por extrema necessidade, todos somos distintos entre si por inúmeros fatores que podem nos aproximar ou repelir, todavia, entre tantos fatores é natural que ocorra grupos com semelhanças psicológicas baseadas em ideologias, corpo físico, mentalidade etc. E, devo relembrar também que nada é certo e nunca será, minha visão do mundo exterior se opõem a muitas e isso é minha garantia para evitar conflitos maléficos entre opiniões diferentes. Mas, convenhamos... Desta vez, a possibilidade de eu estar certo é imensa.

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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A décima terceira postagem

Pessoas I

Como todo final de mês, eu trago um assunto mais que especial para ser discutido e, por acaso, hoje me surgiu este: "Pessoas". Tentador, não? Complexo também. Porém, mais complexo que o ser humano apenas nossa própria mente.

Em toda minha existência, eu pude conviver com vários tipos de pessoas. Umas diferentes das outras em seus mínimos detalhes, entretanto, nenhuma delas era boa o suficiente para mim, para os outros, para o mundo. E eu comecei a me perguntar o motivo desta insuficiência, a resposta é quase óbvia: são seres humanos. Não somos perfeitos, nunca seremos. Numa tentativa vã de perfeccionismo o ser humano nunca alcançará o tão sonhado "perfeito" pois este é desconhecido até mesmo para nós.

Costumamos dizer que Deus é perfeito, mas qual deles? Existem tantos. Não farei uma discussão religiosa pois respeito o Deus particular de cada indivíduo e religião, tenho o meu próprio e o respeito assim como exijo respeito de terceiros. Mas a maior dúvida disso tudo é: Por que esta obcessão pela perfeição?

Afinal, o que ela nos trará de bom? Suponhamos que nasça esta pessoa "perfeita", por assim dizer, ela será perfeita baseada no quê? Nos meus conceitos? Nos conceitos impostos pela sociedade, que julga saber o que é melhor para cada um de nós? Vê?

Quiçá a perfeição exista e esteja entre nós. Talvez ela passe por nós diariamente e não somos capazes de identificá-la. E ainda que conseguissemos... Minha perfeição seria diferente das outras porque meu conceito de perfeição é diferente.

Só para esclarecer: acredito que tenho mudado completamente o foco de tudo. Entretanto, quando se trata de pessoas, o assunto abrange tamanha dimensão que seria impossível escrever exatamente alguma coisa. Nunca será o suficiente o que eu escrever, então, me abstenho de tentar.

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origem do texto: "A trigésima postagem - 30 de junho de 2009"/tapesandtorches



terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A décima segunda postagem

Quem sou eu?


Quantas vezes me perguntei quem sou eu em tão pouco tempo de existência? O mais divertido é não ter resposta. Eu poderia me definir com uma resposta simples e qualquer, todavia, é mais complexo do que aparenta ser. Definir-me é impossível, pois, talvez eu seja uma contradição de minhas atitudes e pensamentos ou um acaso do acaso. Sendo que nenhuma das definições me satisfaz. Não satisfaz a dúvida, a lacuna criada pela pergunta.
Ter consciência de minhas qualidades e defeitos não me defini. Talvez eu seja tudo e nada. A mistura perfeita de guerra e calmaria, sonho e desilusão. Sobriedade e embriaguez. Várias coisas poderiam me responder, mas nada parece o suficiente e tudo um pouco demais.
O conformismo é uma tentação, entretanto, o mistério que envolve o meu ser, minha existência, chega a ser tentador. O segredo de tudo pode estar contido na ignorância, até mesmo da felicidade e do amor. Mas, eu quero ir mais além. Eu quero me encarar e saber com quem lido diariamente, mesmo quando desejo me isolar de todos.
Contos de fadas. Pesadelos. Noites em claro. Dias em trevas. Não parecem fazer muito sentido quando não se sabe quem você realmente é. A poesia reprimida é um mistério sem razão de ser. E, então, eu questiono você também. Caso seja possível encontrar uma definição para o que somos, compartilhe. Compartilhe comigo, conosco, consigo. A salvação de tudo pode ser esta. Mas a salvação do quê? De quem? De nós mesmos? Eu não sei. Tanta coisa eu já não sei que me confundo comigo mesmo e me afundo em tamanha ignorância. Ignorância essa que se eterniza na raiz do meu ser. Na essência da minha alma. Mas esconde em seu núcleo o maior segredo da minha vida: quem sou eu.

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origem do texto: "Décima nona postagem - 31 de maio de 2009"/tapesandtorches 
 
 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A décima primeira postagem

Fazendo do problema uma solução

Minha consciência insisti em afirmar que um bloqueio intelectual nada mais é que uma oportunidade mal aproveitada para escrever o que não pode ser descrito por palavras quaisquer, ela também me pedi para olhar ao redor e não agir cegamente diante de um mundo cheio de assuntos discutíveis, mas tamanha insistência só me afasta do propósito real da situação e eu escrevo textos sem coerência, me martirizando por um feito mal feito. O que é errado da minha parte visto que tenho ciência do meu dom, apesar deste ser duvidoso aos meus olhos, contradizendo aos outros que lêem e gostam daquele conjuntinho de palavras que para mim pode pouco significar ou compartilhar um mundo particular. Então, após bater na mesma tecla na tentativa de alcançar o sucesso e apenas ver assuntos interessantissimos serem debatidos com um nível abaixo do merecido ou requisitado, eu resolvo enfrentar a situação e aceitá-la. Logo, cá estou diante de um novo bloqueio que já dura alguns dias, ciente do atraso das postagens, tentando contornar o medo de não ter forças suficientes para manter meu precioso bem. Devem existir pessoas que pensam que é fácil manter um blog como o meu diariamente, sem que nenhum dia passe abatido, já eu afirmo que pode parecer uma tarefa simples, mas não é. Sim, o mundo é regado de possibilidades e situações, o ser humano é composto de sentimentos inexplorados ou particulares  que podem gerar discussões produtivas. Porém, eu também sou um ser humano e estou vulnerável a tudo isso como todos. Não sei dizer exatamente o que isso pode justificar, todavia, estou expondo meus limites como humano. Minha busca torna-se incessante por um ou dois textos, a problemática é que cada vez que eu começo a escrever o ponto final insisti em surgir na primeira frase.

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domingo, 10 de janeiro de 2010

A décima postagem

Lendas folclóricas reais

Após a globalização, esquecemos quase que completamente do folclore - não que este tenha sido o único tesouro perdido - e deixamos de acreditar em lendas passadas de geração em geração que amendrontou muitos na infância e alguns até a fase adulta. Crer no folclore não é ignorância, mas um benefício para poucos. O benefício da inocência, de certa forma, uma valorização da cultura nacional. Porém, entre tantas as lendas que ouvimos durante a vida, algumas se fortaleceram por serem verídicas, como a dos vampiros. Sim, vampiros existem. Mas não da maneira como imaginamos ou são fantasiados pela mídia, de uma maneira bem pior, ao meu ver. 

Titularei-os de "Vampiros Modernos", afinal, estes não se alimentam de sangue ou são frágeis aos raios solares (que atingem a Terra até mesmo de noite, o que tira a lógica da lenda original) e também não são sensíveis a alho e crucifixos. Os nossos companheiros diários vagam pelos mesmos ambientes que nós, estão em toda parte. Na rua, no trabalho, em casa e talvez até em nós mesmos. O principal alimento dos vampiros modernos é os sentimentos alheios como a felicidade, a alegria, o amor, o ódio... Eles nos influenciam a sentir isso para que possam se alimentar. Regidos pelo ego, procuram formas variadas de prazer sádico. Provavelmente, há em nós um pouco deles. Afinal, para que exista um equílibrio a moeda precisa ter dois lados assim como nós ainda que demonstremos apenas o terceiro lado, o meio termo entre ambos.

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sábado, 9 de janeiro de 2010

A nona postagem

Once the tapes's unrolled... 

O futuro é imprevisível, ainda que tentemos adivinha-lo, ele se mantém uma incógnita. Já a tecnologia busca sempre aprimorar a qualidade de vida dos seres humanos e pode ser prevísivel baseando-se nas necessidades comuns. Mas imagine se fosse possível voltar no tempo, não a partir de uma máquina - essa idéia já se tornou clichê demais - e, sim, por vontade própria. Com a condição de visitar apenas uma vez cada dia já vivido. Imagine quantos conselhos não daríamos a nós mesmos na tentativa de evitar desastres, erros, lágrimas ou mágoas, outros tantos daríamos para proporcionar mais sorrisos e alegrias, mais amores. Conselhos de todos os tipos seriam dados. Em relação a amizades, amores, família, financeiro, profissional... Desconsiderando, claro, as explicações que estaríamos aptos a dar. Seria como consertar os erros ou reviver momentos que foram bons. Porém, ainda que tudo isso fosse possível, naquele momento do passado não estariamos prontos para receber as informações dispostas, não entenderíamos ou descrentes no que ouvimos cometeriamos aqueles erros que gostariamos de ter evitado. O fardo de aceitar a realidade é difícil, cada detalhe da nossa vida foi detalhadamente calculado para que não pudessemos "rebubinar" a realidade como uma fita-cassete. É preciso entender e aceitar que cada sorriso, lágrima, pedaço de dor ou alegria, cada amor e desilusão fazem parte da sua alma, tornaram-se parte de você, complementaram sua essência com um gosto diversificado, o qual pode tornar-se amargo ou doce, citríco, amadeirado... Tantas são as possibilidades... E, todas exigem somente que você esteja ciente que o sabor da sua vida é uma consequência e conjunto de decisões suas, até mesmo para aqueles que alegam ter sido influenciados por terceiros, saiba que até mesmo isso foi uma decisão sua, você se permitiu influenciar. A história é escrita apenas uma vez e, para cada parte desagradável, há um novo parágrafo em branco aguardando para ser escrito. Mas ninguém sabe enumerar exatamente quantos são os parágrafos dispostos a nós, então, faça bom uso deles.


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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A oitava postagem

Proposta negada



Ficha técnica


A proposta do diálogo é: Nenhuma específica cabendo ao leitor criar suas próprias interpretações e conclusões.


O cenário é descrito da seguinte maneira: Um parque ecológico em meio a uma metrópole de grande porte, considerada como uma das aliadas mais relevantes no aquecimento global e destruição da natureza, mas que usa como jogo de marketing um projeto de remanejamento ambiental. As personagens se encontram sentadas em um tapete de grama artificial enquanto fumam seus cigarros após o uso de uma droga ilícita qualquer e discutem sobre um assunto irrelevante e sem sentido.


As personagens são: Uma garota com nome filosófico criada em berço de ouro que viu sua família desmoronar diante de dívidas inexplicáveis e seus sonhos caírem por terra diante de seus pés levando-a a crer que tudo está perdido. Acompanhada de sua recém nova amiga supostamente imaginária, que gosta de sentar-se ao longo do sol e observar as nuvens tentando imaginar seus futuros destinos e disputar contagem de estrelas arriscando a própria virgindade.


Moral: Acompanha o mesmo seguimento que a proposta.


*


Sophia questiona: Quão egoístas, insatisfeitos ou ingratos podemos nos tornar com o passar do tempo, Michaely?


Silêncio...


Sophia prossegue: Acho que não sou feliz, mas só acho. A certeza me foge cada vez que me aproximo... Ou talvez, eu a crie porque ela não existe.


Michaely diz, indiferente ao que acaba de ouvir: Hum... O silêncio não é mais agradável que palavras?


Sophia reflete um pouco e responde: O silêncio contém demasiadas mensagens, que podem ser assustadoras se decifradas. Afinal, por que diz isso? – pergunta Sophia, intrigada.


Michaely parece ponderar para responder e, então, blasfema: Porque o mau uso das palavras é constante e suas conseqüências catastróficas, me ferem e a você também. Talvez, o mundo fosse melhor se não houvessem palavras, apenas o silêncio. Mas só talvez porque... porque... eu não sei.


Sophia, cautelosamente, diz: Há paz na ignorância, eu acho. Eu acho tantas coisas que me esqueço de ter certeza, afinal, cada vez que tive certeza de alguma coisa... Descobri que não havia certeza naquilo em que eu acreditava.


Michaely, bufa e responde: Pode ser, garota...


- A continuidade dos fatos e diálogos é questionável -



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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A sétima postagem

Um final feliz

Na infância, a imaginação é uma companheira constante que nos apresenta um mundo que funde inocência e criatividade para nos divertir, transformando paredes comuns em portais mágicos para mundos secretos habitados por criaturas extravagantes, mares de groselha, nuvens de algodão doce e grama mentolada. Possibilitando viver embaixo d´água junto aos peixes, baleias e pinguins ou voar de encontro à lua para lutar ao lado de São Jorge contra um dragão que planeja dominar o mundo. Tamanha imaginação impedi a solidão de se aproximar mantendo-nos sempre acompanhados de bons amigos, companheiros de batalhas, magos e conselheiros do rei, todos invisíveis aos olhos de qualquer indesejável presença adulta. Crianças são quase auto-suficientes, se não fossem interrompidas frequentemente pelo realismo adulto capaz de desmoronar castelos, salgar mares e transformar animais voadores nos céus em simples nuvens. Entretanto, dentro do coração, permancerá aquele mundo de fantasias com monstros e heróis em um conjunto com todos aqueles que amamos e sequer entendemos por quê. Aos poucos, aquela imaginação infantil é focada em assuntos triviais como tarefas escolares, cartas de amor e amizade ou até mesmo na criação de uma nova brincadeira para entreter e chamar atenção dos mais velhos. Nossas experiências podem ser fatais àquela inocência e contos-de-fadas perdem seu encanto com tamanha facilidade, chegam a serem esquecidos pelos narradores e, principalmente, seus ouvintes. O mundo torna-se demasiadamente impuro para manter viva uma estória com final feliz e o famoso "felizes para sempre" já não passa de uma lenda para fazer corações ainda sonhadores lutarem pela sobrevivência em meio a tanta desilusão. Mas, em casos mais frequentes que muitos acreditam, a imaginação ainda é utilizada para driblar a solidão até mesmo em idades mais avançadas e o que era uma fase da vida torna-se uma fuga da realidade na tentativa de evitar sofrimentos. Para estes, quando não é possível encontrar o conto-de-fadas em alguma esquina sombria da vida, eles o criam. Transformam cenários de cores apagadas em verdadeiros pálacios e sapos em princípes santificados pela mão do Criador, acreditam tão fervorosamente na realidade da própria mentira que passam a crer que aquilo tudo é real, de fato. O que me leva a reforçar a idéia de que o ser humano realmente é regido pelas próprias inseguranças, mas de uma maneira opcional. 
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A sexta postagem

Quem se arrisca assume a responsabilidade

O ser humano é regido pelas suas inseguranças, as quais são mantidas pela negação do próprio ser causando indignação não para com sua própria existência, mas a maneira como esta é. Formando assim parte da sua personalidade que gerará supostos objetivos encarregados de complementar as possíveis ausências e suprir necessidades criadas para sustentar uma realidade fictícia, inventada inicialmente para fantasiar o horizonte visto diariamente, mas que poderá transforma-lo definitivamente no oposto do esperado. Inicialmente, é possível que ainda haja um resquício de consciência das consequências posteriores à ação de assumir como "estilo de vida" a batalha de combater quaisquer necessidades que venham a surgir conforme o passar do tempo sem uma análise prévia visto que muitas delas podem ser reconhecidas facilmente como simples desejos ou criações pertinentes a inseguranças obtidas a partir de uma ausência criada, uma possível perda afetiva ou ao ócio. Tudo isso ocorre detrás de uma carapaça criada excepcionalmente para lidar com confrontos diretos protegendo assim a essência da realidade fatídica feita refém por mentiras utópicas e mantida em um cativeiro profundo e inalcançável até mesmo pelo seu criador.
Opondo-se ao perfil acima apresentado, há ainda aqueles que usam de sua própria fraqueza a melhor arma de combate contra o maior inimigo do ser humano: Ele mesmo. Buscam conhecer a si próprios melhor que qualquer outro, identificando os pontos altos e baixos para a criação de um plano de estratégia friamente calculado evitando envolvimento emocional desnecessário, o que pode tornar-se vantajoso diante de desprendimentos necessários em geral. Para estes, a realidade é vista como a argila: moldável; Mas que se concretizará em um determinado espaço de tempo indefinido. Enquanto o primeiro grupo aceita sua própria realidade para fantasia-la a seu gosto, esse outro prefere moldá-la com as próprias mãos, aceitando para si apenas o necessário requisitado anteriormente. De fato, o ser humano é comandado pelas suas inseguranças e estas são distintas e próprias de cada um, porém, o que mais nos difere é a maneira que encontramos para lidar com aquilo que nos amedronta. E, independente de qual seja a escolha para sua existência, perderá seu real valor caso você venha a julgar a opção alheia.

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A quinta postagem

Um quebra-cabeça sem pé, nem cabeça

De repente, me ocorre a idéia de que a personalidade humana não passa de um quebra-cabeça incompleto que será o entretenimento eterno daquele que o possui, tirando e substituindo essa ou aquela "peça" para tornar a imagem mais nítida ou desmontando tudo para reconstruir e torná-la mais agradável. Um mistério composto pela união de mínimos detalhes do carácter humano, este desafio existencial é regido pelas leis impostas por peças maiores, mas nem por isso mais relevantes, que tentam ditar suas monarquias falhas às outras, ainda pequenas diante do poder de influência mental. Porém, em meio a esta sútil guerra interna, a imagem do pequeno quebra-cabeça começa a tornar-se vísivel aos olhos e surpreende seu jogador com a figura formada: o reflexo de si mesmo, como em um espelho. Um reflexo composto pelas consequências de atitudes cotidianas, os segredos internos mais profundos e tantas outras decisões tomadas ao longo do tempo, impensadas ou friamente calculadas, transparecendo cada traço de luz ou escuridão perante todos vorazes espectadores ao seu redor e sua verdadeira índole exposta como uma vitrine na rua principal de uma metrópole. Amedrontadora a idéia, não? Porém, não acredito que seja possível montar definitivamente o quebra-cabeça sem que haja alterações posteriores, sempre haverá aprimoramentos e regressões, não há garantia de progresso constante ou regressões eternas, então, diariamente, estamos em busca de novas combinações entre as peças encontradas em nossas mãos e procuramos adquirir outras novas até que o reflexo ali estático torne-se satisfatório. Desacredito em conjunto na idéia da possibilidade de uma exposição voluntária e tão vulnerável a um outro ser humano, mesmo que ambas as buscas sejam próximas ainda que por caminhos distintos. O individualismo é uma realidade e sequer a cumplicidade é forte o bastante para persuadir alguém a mostrar o seu próprio "retrato de Dorian Gray".


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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A quarta postagem

2010: O recomeço


Agora, não resta nada mais daquele castelo de areia e a fronteira de gelo que impedia um progresso mais abrantente e eu caminho em direção ao novo horizonte que surgiu diante de mim, todos pesos desnecessários que custaram a se desprenderem de mim se foram junto à ventania que percorre caminhos inimagináveis por onde passei de cabeça baixa, menosprezando a mim mesmo por erros permitidos ou aceitos por terceiros. As expectativas de um recomeço revigorante são maiores que quaisquer dor ou lembrança mantidas em minha mente, sequer me dei ao trabalho de numerar planos ou esboçar meus futuros passos, afinal, simplesmente quero reaceitar os riscos da caminhada tentando consertar meus erros passados que só vieram a prejudicar meu progresso. Mesmo visto como soberba, por ignorantes desinteressados, procuro manter o cenário e seus personagens a um nível mais elevado que anteriormente, para que assim não seja repitido nenhum dos scripts ultrapassados.


Tudo parece se encaixar como foi previsto. O que nunca fez sentido e pareceu uma idéia inaceitável naquele momento, hoje, é uma realidade mais que desejada. As lágrimas também marcam presença pela descrença dos fatos, mas facilmente são interrompidas tornando suportável sua presença. Cada ano representou de alguma forma um novo recomeço ou talvez possam ser visto como as preliminares de um término de ciclo que guarda a chave para da porta do real ínicio de uma nova existência, atualmente, há pouco a ser dito a respeito... Todavia, as expectativas são grandes e estão presentes para que eu não me esqueça que o caminho pode ser árduo, porém, no final, valerá cada segundo investido.
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domingo, 3 de janeiro de 2010

A terceira postagem

2009: A demolição


Não posso negar que não reparei o ínicio da demolição de tudo aquilo que havia sido conquistado neste pequeno intervalo de tempo, mas um passo em falso poderia ser fatal para me afundar novamente, o que me deixou mais atento diante de cada passo planejado. Com tanto ao meu redor e internamente, eu estava ciente de que cedo ou tarde haveria a necessidade do descarte, mas não fui capaz de prever que ele já havia começado desde o primeiro segundo do ano. Para encontrar forçar me prendi à religião e minha família, não só composta por aqueles entrelaçados a mim pelo sangue. E, mesmo com o tempo fechado ao decorrer de todo o ano, fui capaz de encontrar pelo caminho pequenos fragmentos de diamantes que apenas em conjunto adquiririam um valor inestimado a todos e os guardei comigo, carregando-os de encontro ao peito a cada passo dado em direção ao nada camuflado em plena escuridão.


As lágrimas não eram constantes como anteriormente, porém, ainda presentes e cada coração já ocupado me machucou um pouco mais e mínima dor nunca me deixou esquecer da vida que brilhava insistentemente em mim na vã tentativa de chamar minha atenção. As perdas ocasionadas neste foram essenciais para que meus olhos fossem reabertos definitivamente, enxergando assim quem eu havia me tornado e enchendo meu coração de orgulho seguido de um desejo inexplicável de mergulhar no ser recém chegado à minha vida. Aprender a lidar comigo mesmo tornou-se meu objetivo principal na duração desses trezentos e sessenta e cinco dias.


Caminhei solenemente pelo reino do ego e da lúxuria me deparando em cada um deles com pessoas opostas a mim e distintas entre si. Antes, eu que cheguei a acreditar que pertenceria a um desses reinos me vi sendo rejeitado por ambos pela ausência de um carácter compátivel. Segui em direção aos outros reinos espalhados pelo mundo assistindo em silêncio uma ou outra situação inapropriad, pessoas partindo e tantas chegando. E, outrora olhei para mim na esperança de encontrar tudo intacto... Mas meu solene castelo de areia jazia aos quatro cantos revelando toda sua fraqueza omitida por esperanças falhas.


Vi ainda surgir o antecessor deste blog criado pelo desejo maior das palavras em mim e observei o retorno e partida daquele que marcou minha vida no passado, vi erros imperdoáveis serem relevados com uma facilidade admirável, pasmei e quando não deveria me calei. Mas, ao término do ano, me deixei entregar uma vez mais às trevas que me cercou todo esse tempo e quando pensei que seria definitivamente consumido e meu coração amargurado... Uma sucinta faísca de luz brilhou ao fundo de um túnel próximo, com lágrimas a lavar meu rosto, corri o mais rápido que pude naquela direção, meus pés pareciam presos ao chão invisível, e ao me aproximar o suficiente notei que tal faísca nada mais era que o último segundo do ano anunciando o término da era da escuridão e o recomeço de tudo. Senti areia em meus pés e ao olhar para trás notei que o caminho que me trouxe até aqui está bloqueado por areia desmoronada de um sonho passado, me restando a única alternativa de seguir adiante...
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sábado, 2 de janeiro de 2010

A segunda postagem

2008: O luto

Retomo uma vez mais um passado mórbido quase esquecido pelo tempo, mas marcado pela sua presença raramente notável e vejo isto como um beijo de despedida para possíveis fantasmas que venham a reaparecer diante de mim, os quais já não são bem-vindos sequer em meus sonhos mais obscuros. Alguns preferem esquecer todos obstáculos já enfrentados durante a caminhada da vida, neste ponto me diferencio dos demais e procuro manter a lembrança acessível, mas não viva, para que eu nunca permita me desencorajar diante do presente momento. O que me leva a contar esta parte da minha história que recentemente foi titulada como: "O luto", fazendo jus aos fatos ocorridos ao longo do ano que exigiu mais de mim do que qualquer outro em minha vida até então, aos meus dezenove anos de vivência prática.


Em 2008, aos meus dezessete anos rumo aos dezoito, me deparei com uma perda inconcebível na época logo nos primeiros dias daquele ano ocasionand em uma sequência de atos de desespero até a esperança tornar-se completamente invisível aos meus olhos e eu me ver morrer lentamente sentindo profundamente cada pontada daquela dor, que permaneceria em mim pelo tempo de uma existência razoável. Estudos e empregos perderam sua atração inicial tornando cada dia um novo sacríficio, me arrastar para fora do quarto era um obstáculo diário seguido da insistente preocupação alheia para comigo. Cada noite era uma nova oportunidade de martirização levando consigo cada possível hora de sono e assim seguiu-se um ano no qual cada tentativa de reerguer causava uma queda mais profunda que a anterior.


Um suposto conforto foi encontrado em meio a drogas e relações sexuais casuais até que um pouco de luz pôde iluminar-me e abrir levemente meus olhos para que eu enxerga-se o erro cometido quase diariamente, tal conforto temporário não passava de uma covarde tentativa de fugir da realidade destrutiva ao meu redor. Aceitar o fardo de viver como um recém morto era uma opção e não uma imposição astral e entre tantas tentativas falhas acompanhadas de apoio originado do amor alheio encontrei forças para me manter sob minhas próprias pernas, procurar ajuda e finalmente aceitá-la.


Ao término do ano, eu não estava completamente curado de todas experiências passadas e a dor ainda resistia em meu peito, porém, eu já me sentia capaz de me comunicar comigo mesmo ou permitir a aproximação alheia, mesmo com receio ainda. E, segurando minha mão, um irmão com nome de anjo me guiou de encontro à luz sem perceber que com uma atitude tão pequena acabava de salvar uma alma da perdição constante. Sem que eu pudesse perceber, o ano havia chegado ao fim e aquela era uma nova oportunidade de recomeço para mim, que acreditava estar completamente sozinho, mas ao olhar ao redor me deparei com novos e outros já conhecidos rostos sorrindo para mim e comigo. Sem notar, eu havia crescido e feito novas amizades significando o fim de um luto presente por dias obscuros, mas ainda assim havia muito a acontecer e ciente disso me restou abraçar meus novos aliados e correr em direção ao desconhecido.


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