Me foge entre os dedos meu tempo...
Silencia-se tudo do meu lado oposto da janela, a vida parece adormecida à luz do luar em um extenso cobertor de estrelas. Mas, em mim, eu sinto o pulsar ansioso do meu coração. Tento ignorá-lo, me esforço ao máximo, entretanto no fundo da minha consciência sei que ele exige uma decisão. Uma escolha cabível somente a mim, porém, que evito cogitar a possibilidade de aceitar tamanha responsabilidade. Observo ao meu redor em busca de qualquer coisa que possa transportar tais pensamentos para longe. Nada parece infiltrar em minha mente a ponto de modificar este cenário.
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Um ruído corta o silêncio repentinamente e me assusta, não como um susto aterrorizador, mas como quem desperta subitamente ao ser tocado. Busco entre a pouca luz que me é oferecida a origem do barulho. Por um momento, sou arrebatado por uma esperança de fugir de tudo o que me inquieta. Dura pouco e logo a ansiedade volta a correr pelas minhas veias em direção ao meu coração.
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Esmurro a vidraça, não com a intenção de quebrá-la, mas uma demonstração do desejo de desvencilhar-me desta raiva que me consome em razão de tamanha indecisão. Não exata ausência de decisão, todavia, receio de enfrentar quaisquer consequências. Anseio por uma resolução e temo tomar uma decisão. Enquanto tento enganar a mim e ganhar tempo o sol insisti em apontar ao longo do vasto horizonte que preenche a planíce já gasta e mórbida.
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1 comentários:
isso me deixou fissurado!
esse mistério, essa quase-dor da indecisão. acho que entendo como funciona.
[ainda não me conformo como você é capaz de verbalizar sentimentos que são tão profundos -e que eu identifico em mim, por isso penso entendê-los]
abraços
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