quinta-feira, 8 de julho de 2010

A oitava postagem


Ladrão de sonhos


Meu olhar capta três paredes mofadas e muitos objetos aparentemente inúteis, minha mente vasculha meus pensamentos em busca de um assunto trivial que preencha meu tempo ao longo da espera que vivencio. Pode-se dizer que é um horário considerável para uma família – tecnicamente falando – permanecer acordada e eu me mantenho no aguarda da vitória do cansaço deles. Meu livro me consome conforme eu o devoro com a lentidão de quem aprendeu a decifrá-lo recentemente e penso a respeito da minha escrita, não necessariamente comparando-a com a do escritor. Não mesmo.


De repente, o silêncio se instala ao longo dos cômodos como um mistério, mas eu estou certo de que ainda resta alguém à espreita de um mínimo movimento. Então, me nego a ceder à tentação de averiguar. Sempre me foi dito que a paciência é uma virtude, nunca neguei e também nem sempre quis aderi-la. Sou portador de uma temível ansiedade de viver, que em tantos impulsos ou limitações me impediu de atender a todos meus anseios.


Não me recordo de ouvir nada a respeito, entretanto, sempre acreditei na necessidade de viver para aprimorar a escrita. Talvez seja essa a razão que me levou a manter o drama em minha vida constantemente. Até me questiono se isso faz da minha escrita algo atrativo, e são tantas as questões que me abstenho com temor de encontrar uma resposta para cada uma delas. Enfim o silêncio penetra em meu pensar e ainda que ciente do erro acabo por ceder e me calo.
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